Ano: 2018
Selo: Italians Do It Better
Gênero: Ambient, Eletrônica, Synthpop
Para quem gosta de: Oneohtrix Point Never e Vangelis
Ouça: Digital Rain e Air Museum
Ano: 2018
Selo: Italians Do It Better
Gênero: Ambient, Eletrônica, Synthpop
Para quem gosta de: Oneohtrix Point Never e Vangelis
Ouça: Digital Rain e Air Museum
A nostalgia parece ser uma das principais ferramentas de trabalho para o norte-americano Johnny Jewel. Seja aos comandos do Chromatics, com quem vem colaborando desde o início dos anos 2000, ou em cada novo registro lançado pelo selo Italians Do It Better, do qual faz parte, sob a sombra de Jewel, ecos de pura referência e diálogos com a música produzida entre os anos 1970/1980 flutuam com naturalidade dentro de cada experimento instrumental assinado pelo artista.
A mesma necessidade em revisitar o passado ganha ainda mais destaque dentro de cada novo projeto autoral de Jewel. Foi assim com o lançamento de Windswept (2017), último registro em carreira solo do músico e uma clara tentativa em emular as ambientações etéreas do compositor Angelo Badalamenti no início dos anos 1990. Canções trabalhadas de forma a estabelecer um profundo diálogo com o som produzido para a trilha sonora de Twin Peaks — série que contou com a colaboração de Jewel no retorno à TV no último ano.
Longe de parecer uma surpresa, em Digital Rain (2018, Italians Do It Better), mais recente álbum de inéditas do músico norte-americana, uma nova tentativa em replicar velhas experiências. Da mesma forma que o registro apresentado há poucos meses, Jewel continua a investir em um material essencialmente climático e minimalista. São melodias etéreas que encontram em sintetizadores analógicos e programações eletrônicas a base para o trabalho.
A principal diferença em relação aos demais projetos apresentados por Jewel está na forma como o músico costura diferentes épocas em um mesmo ambiente criativo. Na contramão do som enevoado que marca as canções de Windswept, cada fragmento do presente registro parece brincar com o uso de temas futurísticos, como um emular de melodias tortas, batidas e ruídos metálicos que transportam o ouvinte para um universo típico de clássicos da ficção científica.
Difícil não lembra da trilha sonora do filme Blade Runner (1982), de Vangelis, influência direta para o trabalho de músico, ou mesmo nomes recentes do experimentalismo eletrônico, caso de Oneohtrix Point Never e Steve Hauschildt. Do momento em que tem início na homônima faixa de abertura, passando por músicas como Air Museum, What If e todo o conjunto de vinhetas que recheiam o disco, Jewel parece brincar com o uso de texturas acinzentadas, bipes e frações minimalistas, ampliando o universo autoral detalhado até o último álbum.
Transformador quando próximo de tudo aquilo que Jewel vem produzindo nos últimos anos, Digital Rain pode até indicar o princípio de uma nova fase na carreira do músico, porém, está longe de ser encarado como uma obra completa. Salve momentos estratégicos, parte expressiva do álbum é composta apenas de fragmentos e retalhos abstratos, como se Jewel fizesse do registro um experimento aberto, testando possibilidades mesmo nos instantes de maior duração do trabalho.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.