Ano: 2026
Selo: Sujoground
Gênero: Rap
Para quem gosta de: Servo e Pumapjl
Ouça: Quem Sorriu Na Minha Ida, V.D.Q. e Verocai
Ano: 2026
Selo: Sujoground
Gênero: Rap
Para quem gosta de: Servo e Pumapjl
Ouça: Quem Sorriu Na Minha Ida, V.D.Q. e Verocai
Se existe uma coisa que Babidi sabe é como reunir um time diverso de colaboradores para fazer arte. Em atuação desde a década passada, o produtor da Zona Norte do Rio de Janeiro acumula uma sequência de álbuns marcados pelo diálogo com diferentes parceiros criativos, conceito que vai de registros menores a trabalhos profundamente complexos e provocativos, entre eles, o político Depois que a água baixou (2025).
Essa mesma riqueza de ideias volta a se repetir em Tape do Azulão (2026). Com título inspirado no estúdio do próprio artista, além de referenciar a obra do músico pernambucano de mesmo nome, o disco funciona como ponto de encontro para alguns dos nomes mais relevantes do rap nacional. São composições talvez livres da mesma consistência temática e força de Depois Que a Água Baixou, mas não menos interessantes.
Dividido entre novos e velhos colaboradores, o trabalho se aprofunda em questões profissionais, conquistas e momentos de maior intimidade que vão do sexo aos tormentos que invadem a mente de cada convidado. Alguns, como Servo, brilham nas diferentes músicas montadas e espalhadas pelo produtor, como em V.D.Q. e Quem Sorriu Na Minha Ida, já outros, crescem justamente no curto espaço de tempo deixado pelo artista.
É o caso de Lis MC e Claudjin, responsáveis pelas rimas em Curta, composição que não apenas referencia o documentarista Eduardo Coutinho (1933–2014), como se abre para a chegada de Seu Gerê, pai de Babidi. Essa abordagem referencial volta a se repetir em Verocai, preciosa colaboração entre Janvi e Yung Vegan, que encontra na obra do músico e arranjador Arthur Verocai o estímulo para o desenvolvimento das bases.
Sobrevive justamente nessa atenção aos detalhes a assinatura de Babidi e o completo domínio do produtor em relação ao próprio trabalho. Ainda que parta do rap, o artista carioca nunca se limita a um gênero em específico. Do jazz fragmentado em Como Se Fosse a Última, parceria com Barba Negra, à base funkeada e minimalista de Qual Vai Ser?, canção que flerta com o R&B, sobram momentos de maior liberdade criativa.
Ainda assim, Tape do Azulão nunca apresenta nada de tão transgressor em relação aos antigos trabalhos de Babidi. É como se o produtor se concentrasse apenas em aprimorar aquilo que tem explorado desde o início da carreira. Canções que, vez ou outra, são amparadas pelo uso de samples empoeirados, como em Balanço, mas em nenhum momento reduzem o capricho na elaboração das batidas e no encaixe das rimas.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.