Ano: 2026
Selo: Dirty Hit / Interscope
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Hayley Williams e Clairo
Ouça: Sun Has Set, Switchblade e Memories
Ano: 2026
Selo: Dirty Hit / Interscope
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Hayley Williams e Clairo
Ouça: Sun Has Set, Switchblade e Memories
Ainda que orbite um universo criativo bastante particular, cada novo trabalho de estúdio sempre pareceu empurrar Beabadoobee para uma nova direção. Enquanto os inaugurais Fake It Flowers (2020) e Beatopia (2022) miravam no rock alternativo dos anos 1990, evocando artistas como Stephen Malkmus e Liz Phair, This Is How Tomorrow Moves (2024), com produção de Rick Rubin, revelou uma abordagem mais polida.
Em Pylon (2026), quarto e mais recente trabalho de estúdio de Beatrice Laus como Beabadoobee, a artista filipina acerta justamente ao se distanciar do que havia testado nos registros anteriores. Menos orientado ao rock da década de 1990, o trabalho avança em direção aos anos 2000. São canções marcadas pelo fino acabamento melódico e pelo uso de versos cada vez mais confessionais, aproximando o repertório do emo.
A própria escolha de Laus em colaborar com Hayley Williams, em Nothing To Prove, soa como um reforço a isso. E não é só a líder do Paramore que dá as caras ao longo do disco. Durante toda a execução do álbum, figuras importantes do mesmo período surgem e desaparecem ao longo do trabalho. É o caso do veterano Chino Moreno, vocalista do Deftones e parceiro da artista na música de encerramento do registro, Satellite.
Mesmo quando se aproxima de nomes contemporâneos, como Brendan Yates, do Turnstile, Laus continua a dialogar musicalmente com o passado, conceito reforçado em Powerlines. A própria Sun Has Set, assumida integralmente pela artista, deixa de lado o rock cru dos primeiros discos para incorporar elementos de pop punk e pós-hardcore, efeito direto das vozes em coro e das guitarras melódicas que invadem a composição.
Embora amplie o próprio campo de atuação em estúdio, a cantora nunca se afasta totalmente do território que vem sendo explorado desde a produção de Fake It Flowers. Em Switchblade, por exemplo, a bateria cadenciada e o som granulado das guitarras soam como um encontro improvável entre Beck e Sonic Youth. Já em Memories, são as harmonias doces e o flerte com o dream pop que capturam a atenção do ouvinte.
Esse equilíbrio de forças garante ao público um registro que preserva a essência de Beabadoobee, mas em nenhum momento tende ao conforto. Mesmo livre de grandes transgressões estéticas e liricamente imerso em temas há muito explorados pela cantora, Pylon destaca a capacidade de Laus em encontrar pequenas brechas e dialogar com algumas de suas principais referências sem necessariamente perder identidade.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.