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Crítica

Bebé

: "Dissolução"

Ano: 2026

Selo: Loco Records

Gênero: R&B, Jazz, Neo-Soul

Para quem gosta de: Tuyo e Karen Francis

Ouça: Ano do Cavalo, Se Tocar e Compartilhando o Céu

8.2
8.2

Bebé: “Dissolução”

Ano: 2026

Selo: Loco Records

Gênero: R&B, Jazz, Neo-Soul

Para quem gosta de: Tuyo e Karen Francis

Ouça: Ano do Cavalo, Se Tocar e Compartilhando o Céu

/ Por: Cleber Facchi 03/06/2026

A imagem de Bebé adentrando a mata escura na capa de Dissolução (2026, Loco Records) não poderia ser mais representativa. Primeiro disco em que a cantora e compositora paulista assina a produção, o sucessor de Salve-se! (2024) mostra uma artista ainda mais exploratória e curiosa, por vezes difícil de ser absorvida, mas nunca óbvia. São canções que se revelam aos poucos, sem pressa, detalhando ruídos, texturas e vozes.

E não poderia ser diferente. Com um título que parte da condição de dissolver para transformar, a cantora desconstrói tudo aquilo que vem sendo explorado desde o autointitulado registro de estreia. Acompanhada pelo irmão, o multi-instrumentista e produtor Felipe Salvego, Bebé brinca com a fragmentação das batidas, espalha guitarras embriagadas pelo jazz e esbarra no etéreo, porém, mantendo firme a clareza das ideias.

Sempre no cuidado pra não confundir / Areia com asfalto”, repete em Ano do Cavalo, parceria com a Tuyo que sintetiza esse entendimento e pleno domínio da artista em relação aos temas explorados pelo trabalho. Se em Salve-se! a cantora interpretava o mundo de maneira particular, mesmo virada de cabeça pra baixo, em Dissolução Bebé joga com regras próprias, trilha um percurso singular e assume os riscos com bravura.

Claro que isso tem seus problemas, como o avanço lento e a parcial ausência de ritmo na primeira metade do disco, com Bebé e o próprio público tentando se encontrar. Salvo exceções, como o neo-soul labiríntico de Compartilhando o Céu, colaboração com Tássia Reis, faltam composições tão imediatas quanto aquelas apresentadas pela artista nos registros anteriores, proposta que talvez afaste os ouvintes mais apressados.

Entretanto, uma vez ambientado ao universo particular e ao ritmo do trabalho, difícil sair dele. Em Se Tocar, com baixo suculento de Ana Karina Sebastião, são versos que tratam sobre autonomia e prazer, seduzindo o ouvinte com um fino toque de lascívia. Já em Vulcânica, com produção abstrata e versos complementares de Brisa Flow, é a busca por libertação emocional através do autoconhecimento que engrandece a canção.

São faixas complexas, densas e profundamente confessionais, mas que se resolvem em um curto intervalo de tempo, destacando o domínio de Bebé em relação ao próprio trabalho e sentimentos. Não por acaso, ao encerrar o disco com No More Hiding, parceria com Marissol Mwaba cantada em português, inglês e suaíli, a sensação de serenidade é quase imediata, como o fim de uma longa jornada sensorial, lírica e emocional.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.