Ano: 2026
Selo: Jagjaguwar
Gênero: Indie, Pop Hipnagógico
Para quem gosta de: Alex G e Horse Vision
Ouça: Song for the Messenger e Dust In The Wind
Ano: 2026
Selo: Jagjaguwar
Gênero: Indie, Pop Hipnagógico
Para quem gosta de: Alex G e Horse Vision
Ouça: Song for the Messenger e Dust In The Wind
Ainda que o título de Your Day Will Come (2026, Jagjaguwar) seja o mesmo do trabalho anterior de Chanel Beads, o caminho percorrido por Shane Lavers é outro. Partindo de uma proposta ainda mais fragmentada, o cantor e compositor norte-americano usa da gradativa decomposição dos elementos para mergulhar em uma obra cinzenta marcada pela atmosfera sombria, versos niilistas e a sufocante sensação de descrença.
A própria escolha na repetição do título, no português, “seu dia vai chegar”, funciona como representação poética desse resultado, com Lavers contrastando o teor esperançoso do disco anterior com a tonalidade angustiada do presente álbum. “Rezo para que o mundo tenha misericórdia de você, como nosso pai teve de mim”, canta na representativa The Coward Forgets His Nightmare, logo nos minutos iniciais do registro.
Embora parta de uma abordagem soturna, Your Day Will Come em nenhum momento parece pesar sobre o ouvinte. Pelo contrário, é sempre fascinante perceber a maneira como o músico, acompanhado pela voz de Maya McGrory e os violinos de Zachary Paul, brinca com a fragmentação e sobreposição dos elementos, tornando o curioso processo de audição do trabalho uma experiência marcada pelo acabamento orgânico.
Do uso das vozes, sempre carregadas de efeitos, passando pelo som enevoado das guitarras que evocam o trabalho de artistas como Alex G e ML Buch, cada novo regresso revela uma tonalidade diferente. Mesmo que muitos desses percursos criativos resultem em becos sem saída, principalmente no delirante eixo final do registro, o controle de Lavers prevalece na maior parte do tempo, garantindo consistência ao material.
O próprio artista faz questão de espalhar uma série de faixas mais acessíveis e imediatas, fazendo com que o ouvinte aterrisse sem maiores dificuldades dentro do disco. Dessa forma, sempre que começa a se perder em devaneios ou mesmo momentos de plena experimentação, Lavers garante preciosidades como Song for the messenger, Silver cup e Dust in the wind, destacando o sempre instigante diálogo do músico com o pop.
Marcado pelo propositado senso de desorientação, Your Day Will Come usa dessa imprevisibilidade como um de seus principais trunfos. É como se Lavers a todo momento tensionasse a experiência do ouvinte em um contínuo turbilhão emocional, poético e instrumental. As respostas talvez não sejam as mais imediatas, mas a forma como somos convidados a mergulhar nesse processo investigativo é o que realmente fascina.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.