Ano: 2026
Selo: Flesner
Gênero: Rock, Sludge Metal
Para quem gosta de: Ken Mode e Gilla Band
Ouça: Deep Blue, Pen I S Mall e Same Rules
Ano: 2026
Selo: Flesner
Gênero: Rock, Sludge Metal
Para quem gosta de: Ken Mode e Gilla Band
Ouça: Deep Blue, Pen I S Mall e Same Rules
Por mais interessante que seja o repertório de Cool World (2024), parecia que o Chat Pile havia alcançado um teto criativo – algo preocupante para uma banda em seu segundo trabalho de estúdio. O próprio grupo decidiu se desafiar no ano seguinte, fazendo do encontro com o violonista texano Hayden Pedigo o estímulo para o colaborativo In The Earth Again (2025), uma propositada curva dentro da discografia do quarteto.
Passado esse momento de maior exploração, o grupo de Oklahoma City retorna inspirado com Who Loves the Sun (2026). Direto ao ponto, como tudo aquilo que o Chat Pile tem explorado desde a estreia com God’s Country (2022), o trabalho concentra o que há de melhor e mais característico no som da banda. São faixas marcadas pelo discurso político afiado e pela truculência sufocante dos arranjos, batidas e vozes berradas.
“É difícil imaginar que toda a sua vida / Possa se resumir a uma série de atos de subordinação”, questiona a banda em Pen I S Mall, música que destaca a exploração de trabalhadores de baixa renda e a dominância da masculinidade tóxica, mostrando pessoas condicionadas a aceitar e celebrar a própria precariedade. É como se o quarteto partisse do atual cenário político dos Estados Unidos para explorar o universo ao redor.
Enquanto as composições ficam cada vez mais abrangentes e, ao mesmo tempo, intimistas, mergulhando em paranoias e conflitos pessoais, o grupo amplia musicalmente os próprios horizontes. Em Deep Blue, por exemplo, a base soturna e o uso de pequenos respiros melódicos evocam o trabalho de artistas como Sonic Youth e Nirvana. Já em Intruder, são as vozes femininas que contrastam com a atmosfera ruidosa da banda.
Nada que prejudique a entrega de composições ainda íntimas dos primeiros trabalhos do grupo. A própria Creature, na abertura do disco, funciona como uma boa representação desse resultado, avançando sobre o ouvinte de forma quase opressiva. Mesmo quando investe em uma abordagem contida, como nos minutos iniciais de Same Rules, a banda usa dessa aparente calmaria como trampolim para um fechamento caótico.
Esse equilíbrio entre a preservação da própria identidade e a busca por novas possibilidades é justamente o que torna a experiência de ouvir Who Loves the Sun tão fascinante. Ainda que o trabalho perca parte da potência em seus minutos finais, revelando composições arrastadas como Family Funeral, o esforço natural em tensionar limites e não se repetir criativamente compensa possíveis falhas que o grupo possa cometer.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.