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Crítica

Daphni

: "Butterfly"

Ano: 2026

Selo: Jialong

Gênero: Eletrônica, House

Para quem gosta de: Caribou e Four Tet

Ouça: Sad Piano House e Waiting So Long

7.6
7.6

Daphni: “Butterfly”

Ano: 2026

Selo: Jialong

Gênero: Eletrônica, House

Para quem gosta de: Caribou e Four Tet

Ouça: Sad Piano House e Waiting So Long

/ Por: Cleber Facchi 17/02/2026

Nos últimos anos, as linhas que separam uma identidade criativa de Dan Snaith de outra têm ficado cada vez mais borradas. Enquanto o Caribou sempre destacou o lado exploratório do produtor canadense, o Daphni serviu para destacar a relação do artista com as pistas. Entretanto, basta uma rápida audição de Butterfly (2026, Jialong) para perceber como esses diferentes conceitos vêm se entrelaçando em estúdio.

Sequência ao material entregue pelo artista em Cherry (2022), Butterfly é tanto uma extensão do registro que o antecede como um diálogo atento com as demais criações de Snaith. A própria escolha do canadense em mesclar os dois projetos e colaborar com ele próprio em Waiting So Long torna isso bastante evidente. É como se o produtor de Ontário concentrasse o que há de melhor no repertório de suas principais criações.

Ainda assim, algumas separações são bastante evidentes. Durante a primeira metade do trabalho, Snaith se concentra na entrega de faixas que destacam o lado melódico da obra, lembrando as criações do Caribou em registros como Our Love (2014) e Suddenly (2020). Escolhida para inaugurar o disco, Sad Piano House sintetiza de forma eficiente esse direcionamento criativo, apontando o caminho para o restante do material.

Por outro lado, ao alcançar Two Maps, exatamente na metade do disco, Snaith inverte esse resultado, com as batidas ganhando maior protagonismo. É como se o produtor deixasse de lado a psicodelia ocasional do Caribou para se entregar de vez às pistas. Uma insana combinação de ritmos que preserva a identidade do canadense ao mesmo tempo em que dialoga com as criações de amigos como Sofia Kourtesis e Fred Again.

Claro que, nem sempre, essa separação em dois blocos se mantém ao longo do disco. Em Clap Your Hands, logo na abertura do trabalho, Snaith se joga de cabeça nas pistas. Já em Invention, próxima ao fechamento do álbum, são os sintetizadores lisérgicos que chamam a atenção. O produtor aproveita até para confessar algumas de suas principais inspirações, como a french house em Hung, composição que cheira a Daft Punk.

São diferentes conceitos criativos, ritmos e referências, proposta que, vez ou outra, tende aos excessos, mas em nenhum instante deixa de fazer o ouvinte dançar. Do momento em que tem início, em Sad Piano House, até alcançar a derradeira Eleven, perceba como Snaith transporta para dentro de estúdio a mesma energia de suas apresentações ao vivo, mantendo o ritmo e a fluidez de Butterfly até os minutos finais do trabalho.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.