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Ano: 2026

Selo: Saddle Creek

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Wednesday e Julie

Ouça: Dior, Rewind e Shopping

8.0
8.0

Feeble Little Horse: “Bitknot”

Ano: 2026

Selo: Saddle Creek

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Wednesday e Julie

Ouça: Dior, Rewind e Shopping

/ Por: Cleber Facchi 16/06/2026

Com a saída do membro fundador Ryan Walchonski e o cancelamento de uma série de apresentações ao vivo dias após o lançamento de Girl With Fish (2023), o futuro do Feeble Little Horse parecia incerto. Foi somente com a chegada de This Is Real, em março do último ano, que o grupo formado por Lydia Slocum, Sebastian Kinsle e Jake Kelley conseguiu se restabelecer, indicando o início de uma nova fase do projeto.

Agora, quase três anos após o lançamento do último trabalho de estúdio, o trio de Pittsburgh, Pensilvânia, não apenas retorna com um novo disco de inéditas, Bitknot (2026, Saddle Creek), como reassume o posto de uma das bandas mais barulhentas da cena norte-americana. Do momento em que tem início, na faixa Doorway, camadas de guitarras e texturas sujas destacam a capacidade do grupo em manipular o ruído.

A diferença em relação a outros projetos do gênero, quase sempre inclinados a replicar a atmosfera e a estética de artistas como My Bloody Valentine, está na forma como o grupo mantém a própria identidade. Das letras que discutem os impactos do capitalismo tardio, passando pelo equilíbrio entre o analógico e o eletrônico, cada fragmento do disco leva o som produzido pelo Feeble Little Horse para outras direções.

Ela está no meu feed / Eu preciso das roupas dela / Preciso do cabelo dela / Ela é igual a mim, só que mais bonita, e isso não é justo”, canta Slocum em Shopping. São versos que tratam sobre inseguranças e a busca por validação em uma sociedade dominada pelas redes sociais. Canções que partem de discussões atentas e reflexões sobre o cenário atual, mas que em nenhum momento diminuem a vulnerabilidade dos versos.

Essa fragilidade no processo de escrita se reflete também na elaboração dos arranjos. Ainda que marcado pelo uso truculento das guitarras, Bitknot cresce ao equilibrar momentos de tensão com instantes de maior delicadeza. Exemplo disso acontece em Rewind, faixa que fascina pela suavidade das vozes e o uso de boas melodias. Mesmo a curtinha Paris, com pouco mais de um minuto, evidencia a leveza do grupo em estúdio.

Sobrevive justamente nessa contrastante combinação de estilos a base para algumas das melhores músicas do disco. São canções como Dior e Guts que alternam entre a calmaria e o caos, resgatando o fino senso de imprevisibilidade de Girl With Fish. Instantes em que o trio resgata uma série de elementos originalmente testados em outros trabalhos, porém encontra sempre um ponto de ruptura que muda os rumos do álbum.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.