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Crítica

Isma

: "Made In Cohab"

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: Pop, Funk, Eletrônica

Para quem gosta de: Katy da Voz e As Abusadas

Ouça: Socialismo da Putaria e Bufalobiu

7.5
7.5

Isma: “Made In Cohab”

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: Pop, Funk, Eletrônica

Para quem gosta de: Katy da Voz e As Abusadas

Ouça: Socialismo da Putaria e Bufalobiu

/ Por: Cleber Facchi 06/02/2026

Se for pra sair de um projeto tão icônico como o Irmãs de Pau e se lançar em carreira solo, que seja como a Isma em Made In Cohab (2025, Independente). Primeiro álbum da artista de Itapevi longe de Vita Pereira, o registro não apenas dá continuidade ao que a cantora paulista vinha experimentando no último ano, como ainda amplia consideravelmente os horizontes sonoros, temáticos e até os colaboradores dentro de estúdio.

Concebido enquanto a dupla se despedia do público em cima dos palcos, o trabalho concentra o que há de melhor no repertório da cantora: letras altamente explícitas, sedentas por sexo e sempre bem-humoradas. São faixas como Socialismo da Putaria, com produção de Christopher Luz, que preservam a linguagem pop de Isma e o criativo diálogo com o funk paulista, porém sempre pontuadas por questões políticas e sociais.

A principal diferença em relação aos trabalhos com o Irmãs de Pau, atravessados pelas vivências da artista como mulher trans, está na forma como Isma se permite arriscar ainda mais, levando o álbum para outras direções criativas. Exemplo disso fica bastante evidente em Bufalobiu. Com produção de Fuso! e Athemus, a faixa chama a atenção pelo flow macio que se derrete e espalha como faca quente passando na manteiga.

Entretanto, o mais fascinante talvez seja a capacidade da artista em transitar por entre gêneros, temáticas e diferentes parceiros sem necessariamente fazer disso uma obra confusa. Alguns são velhos conhecidos da cantora, como a dupla CyberKills, em A Substância, e DJ Dayeh, em Para De Usar Cocaína, já outros, como MC Soffia, em Invejosa, complementam de forma eficiente o que Isma busca desenvolver ao longo do disco.

Claro que, nem sempre, esses encontros contribuem para o desenvolvimento do trabalho, como as rimas arrastadas e completamente deslocadas da dupla Tasha & Tracie na canção-título. A própria tentativa de Isma em dialogar, criar paralelos e incorporar elementos da obra de Beyoncé acaba se perdendo ao longo do registro, como uma ideia confusa que se apresenta nos minutos iniciais e desaparece gradativamente.

Ainda assim, Made In Cohab é uma verdadeira aula de como incorporar diferentes colaboradores e novas sonoridades sem nunca perder o controle da própria criação. Utilizando o funk como fio condutor, Isma abre passagem para que parceiros como Katy Da Voz e As Abusadas, ClementaumCarlos do Complexo não apenas deixem sua marca ao longo do disco, como potencializem o trabalho e a identidade da cantora.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.