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Crítica

Jorja Smith

: "What Are The Odds"

Ano: 2026

Selo: FAMM

Gênero: R&B, Eletrônica

Para quem gosta de: Tyla e Tems

Ouça: What's Done Is Done e This City

5.8
5.8

Jorja Smith: “What Are The Odds”

Ano: 2026

Selo: FAMM

Gênero: R&B, Eletrônica

Para quem gosta de: Tyla e Tems

Ouça: What's Done Is Done e This City

/ Por: Cleber Facchi 03/09/2026

No fim da década passada, quando foi apresentada com On My Mind, Jorja Smith representava o que havia de mais fresco na cena inglesa. Com um pé nas pistas de dança e outro no R&B intimista, a cantora parecia dialogar com o UK garage produzido nos anos 2000 sem necessariamente perder a própria identidade em estúdio, conceito abandonado em Lost & Found (2018) e sutilmente resgatado com Falling Or Flying (2023). 

Com a chegada de What Are The Odds (2026, FAMM), terceiro e mais recente álbum de estúdio da cantora, Smith mais uma vez busca se reconectar com as pistas, porém a sensação que prevalece é a de um registro atrasado. É como se a artista seguisse exatamente de onde parou há mais de uma década, com as primeiras empreitadas criativas, ignorando todas as mudanças recentes que têm orientado a cena eletrônica inglesa.

E não é como se Smith fosse uma personagem apartada desse universo. Pelo contrário, há poucos meses a cantora esteve envolvida em Emotional Junglist (2026), segundo disco de Nia Archives e um dos marcos da retomada do drum and bass. A própria artista passou boa parte da última década estabelecendo pequenos pontos de contato criativo com diferentes representantes do novo pop inglês, caso de FKA Twigs e Shygirl.

Claro que isso não interfere na entrega de boas canções. É o caso de What’s Done Is Done, faixa que aponta para o UK garage tradicional de maneira atualizada, raspando no afrobeats e no future R&B em um jogo de batidas e vozes rápidas que põe fim a um relacionamento. Essa mesma riqueza de ideias volta a se repetir em I Lied, You Lied, música adornada pelo uso de elementos jazzísticos que elevam o trabalho da cantora.

A questão é que momentos são incapazes de sustentar um trabalho inteiro. Seja na sequência inicial ou no encerramento do álbum, parte expressiva das composições se articula a partir de batidas essencialmente básicas ou com poucas variações de estilos. Os próprios convidados, como o rapper Devlin, com quem a artista divide The City, parecem sugados para dentro desse universo livre de possíveis riscos ou variações.

Mesmo os temas explorados ao longo do disco pouco acrescentam em comparação ao repertório entregue nos álbuns anteriores, com Smith revisitando velhos casos de amor. É como se a artista transitasse em um sentido oposto ao material apresentado em Falling Or Flying, uma obra marcada pelo aspecto exploratório e incontestável irregularidade, mas que em nenhum momento parecia próxima de se entregar ao conforto.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.