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Ano: 2026

Selo: InFiné

Gênero: Música Ambiente, Art Pop

Para quem gosta de: Grouper e Ana Roxanne

Ouça: Perpetual Adoration, Stardust e Melted Moon

7.5
7.5

Julianna Barwick & Mary Lattimore: “Tragic Magic”

Ano: 2026

Selo: InFiné

Gênero: Música Ambiente, Art Pop

Para quem gosta de: Grouper e Ana Roxanne

Ouça: Perpetual Adoration, Stardust e Melted Moon

/ Por: Cleber Facchi 03/02/2026

Julianna Barwick e Mary Lattimore passaram grande parte da última década levando a música ambiente para diferentes campos. Enquanto a primeira transformou a própria voz em uma importante ferramenta de trabalho, revelando obras como The Magic Place (2011) e Healing Is A Miracle (2020), a segunda usou da harpa para dialogar musicalmente com nomes de peso como Weyes Blood, Moor Mother e Lonnie Holley.

Agora, juntas pela primeira vez em um mesmo disco, Barwick e Lattimore se complementam criativamente para dar vida ao repertório de Tragic Magic (2026, InFiné). Com Perpetual Adoration como composição de abertura, as duas artistas apontam o caminho para o restante do trabalho. São pinceladas instrumentais e líricas, com cada uma das musicistas surgindo em uma medida sempre particular de tempo, sem pressa.

Essa mesma sutileza no processo de composição do disco acaba se refletindo na faixa seguinte, The Four Sleeping Princesses. Inaugurada pela harpa cristalina de Lattimore, a canção aos poucos se transforma e abre passagem para as ambientações drone, vozes e inserções etéreas de Barwick. É como um inebriante desvendar de sensações, conceito reforçado na atmosfera bucólica e melodias da posterior Rachel’s Song.

Com a chegada de Haze with no Haze, as estruturas começam a se repetir, porém o capricho da dupla em estúdio permanece. Enquanto a harpa de Lattimore aponta a direção, as vozes de Barwick passeiam com maior liberdade. Já em Temple of the Winds, minutos à frente, as duas artistas optam por uma abordagem ainda mais reducionista, como um interlúdio ou momento menos elaborado que ainda soa como respiro.

Passado esse momento de evidente comodidade, Stardust amplia consideravelmente os limites do material. Com os teclados de Barwick em primeiro plano, a dupla deixa de lado o caráter contemplativo do trabalho para investir em uma abordagem cada vez mais urgente e direta. O próprio uso destacado das batidas e as vozes ritmadas levam o disco para outras direções, rompendo de maneira efetiva com o restante do álbum.

Não por acaso, com a chegada da já conhecida Melted Moon, Barwick e Lattimore trazem o disco de volta ao mesmo território criativo explorado no restante da obra. Embora marcada pelo conforto, a composição preserva o refinamento estético e sempre meticuloso processo de criação da dupla. Um fechamento talvez previsível, porém consistente com o detalhamento que há tempos embala o trabalho das duas musicistas.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.