Ano: 2026
Selo: Warp
Gênero: R&B
Para quem gosta de: FKA Twigs e Rochelle Jordan
Ouça: Ideia 1, Outta Time e The Bridge
Ano: 2026
Selo: Warp
Gênero: R&B
Para quem gosta de: FKA Twigs e Rochelle Jordan
Ouça: Ideia 1, Outta Time e The Bridge
Nos últimos anos, nomes como L’Rain, Annahstasia e Kelsey Lu têm questionado os limites e as imposições que pairam sobre artistas negros sempre que se aventuram em um novo álbum de estúdio. É como se tudo que transcende o R&B, o soul e outros gêneros historicamente relacionados a pessoas pretas fosse recebido com desconfiança, conceito que também orienta criativamente o trabalho de Kelela em New Avatar (2026).
Movida pelo desejo de reintegrar a guitarra à música negra, a cantora segue uma abordagem diferente em relação aos antigos trabalhos. A relação com o R&B e a produção eletrônica, marca dos antecessores Take Me Apart (2017) e Raven (2023), ainda se faz presente, a diferença está na forma como a artista se permite atravessar por camadas de distorção e acordes certeiros que concedem novas texturas e nuances ao disco.
São ecos de veteranos como Prince e Lenny Kravitz, porém dentro da lógica particular de Kelela. Canções que atravessam as pistas de Raven para mergulhar em uma ambientação urbana, soturna e misteriosa. Em Idea 1, logo na abertura do disco, a artista deixa bastante claro tudo aquilo que busca desenvolver ao longo da obra. Enquanto a voz se projeta de forma atmosférica, camadas de guitarras surgem e desaparecem em um elaborado labirinto de sensações, conceito reforçado em Outta Time, parceria com A.K. Paul. Mesmo os versos, consumidos por desgastes emocionais, contribuem para a elaboração dessa atmosfera particular.
Embora parta de uma abordagem exploratória, testando outras possibilidades a cada nova canção, Kelela mantém firme o diálogo com as pistas e os temas eletrônicos que fizeram dela um dos nomes mais criativos da cena norte-americana. A própria Linknb, nos minutos iniciais, funciona como uma clara representação desse resultado, com a cantora investindo em um contrastante jogo de batidas, melodias sintéticas e vozes.
Mais do que um elemento de conexão com os antigos trabalhos, esses momentos de euforia e maior relação com as pistas são fundamentais para manter o ritmo e a fluidez do material. Por mais fascinante que seja o uso da guitarra ao longo do registro, composições como Against Me e Retaliation Lullaby custam a avançar. Entretanto, toda vez que o disco perde fôlego, Kelela tem sempre uma surpresa preparada para o ouvinte.
Do reencontro com PinkPantheress, em The Bridge, passando pelo diálogo com o UK Garage, em Don’t Piss Me Off, faixa que parece resgatada de algum disco de Burial, sobram momentos de maior ruptura criativa. Mesmo quando usa uma roupagem comercial, como na faixa New life forms, em colaboração com Fousheé, Kelela encontra sempre uma nova maneira de tensionar, romper e elevar criativamente o próprio trabalho.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.