Ano: 2026
Selo: Matador
Gênero: Experimental
Para quem gosta de: Moor Mother e Sonic Youth
Ouça: Play Me, Not Today e Dirty Tech
Ano: 2026
Selo: Matador
Gênero: Experimental
Para quem gosta de: Moor Mother e Sonic Youth
Ouça: Play Me, Not Today e Dirty Tech
A escolha de Kim Gordon em regravar Bye Bye, composição originalmente lançada como parte do álbum The Collective (2024), diz muito sobre aquilo que a ex-integrante do Sonic Youth busca desenvolver com o terceiro disco em carreira solo. Clara extensão do registro entregue há dois anos, Play Me (2024, Matador) peca pela parcial ausência de novidade, porém reforça o caráter provocativo da artista norte-americana.
Assim como no álbum anterior, Gordon parte de observações sobre a nossa sociedade para mergulhar na construção dos versos. Canções que tratam sobre política, tecnologia, consumo e cultura contemporânea a partir de uma abordagem essencialmente ácida, típica da cantora. A diferença está na forma como a artista substitui a complexidade de músicas como Psychedelic Orgasm por um repertório cada vez mais imediato.
Em Black Out, por exemplo, são versos que provocam o governo de Donald Trump, discutem capitalismo e inteligência artificial como quem converte em música as imagens exibidas em um noticiário. Esse mesmo direcionamento acaba se refletindo em Dirty Tech, composição que trata sobre tecnologia, poder e desejo, utilizando linguagem corporativa como ferramenta de sedução e controle dentro do ambiente de trabalho.
São diferentes interpretações sobre temas que há tempos orientam a obra da artista, proposta que, vez ou outra, tende ao uso de pequenas repetições estilísticas, mas em nenhum momento deixa de atrair o ouvinte. Parte desse resultado vem do esforço da cantora em trilhar novos caminhos em Play Me, conceito reforçado pela maneira como Gordon e o produtor Justin Raisen se aprofundam ainda mais no estudo dos samples.
Enquanto The Collective seguia uma trilha industrial, flertando com o trap de artistas como Playboi Carti e Lil Uzi Vert, Play Me vai para outras direções, investindo em uma abordagem melódica. Exemplo disso fica bastante evidente na própria faixa-título do disco. Escolhida para inaugurar o trabalho, a canção reforça a busca de Gordon por um material cada vez menos hermético, postura reforçada na crescente Not Today.
Apesar da mudança de direção, Gordon mantém firme os momentos de maior experimentação. Em Busy Bee, com bateria assumida por Dave Grohl, são texturas e ruídos que evocam a boa fase do Sonic Youth. Já em Girl With a Look, é a fragmentação do pop que chama a atenção. Ainda que simplifique ideias, o disco sustenta sua força ao transformar repetição em linguagem, mesmo quando soa exageradamente direto.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.