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Crítica

Kurt Vile

: "Philadelphia’s Been Good To Me"

Ano: 2026

Selo: Verve

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Kevin Morby e Courtney Barnett

Ouça: Rock o’ Stone, Zoom 97 e Chance to Bleed

7.6
7.6

Kurt Vile: “Philadelphia’s Been Good To Me”

Ano: 2026

Selo: Verve

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Kevin Morby e Courtney Barnett

Ouça: Rock o’ Stone, Zoom 97 e Chance to Bleed

/ Por: Cleber Facchi 29/06/2026

Kurt Vile é um desses artistas que você sabe exatamente o que irá encontrar ao mergulhar em suas obras, mas ainda assim, acaba persuadido. Conhecido pelas canções longas e o clima sempre relaxado, o músico usa do canto semi-declamado para descrever pessoas, cenas e paisagens urbanas aparentemente simples, mas que ganham novas tonalidades e desdobramentos à medida que somos hipnotizados pelo guitarrista.

Décimo álbum de estúdio do músico estadunidense, Philadelphia’s Been Good To Me (2026, Verve) talvez seja o exemplo máximo disso. Enquanto as guitarras ganham forma aos poucos, sem pressa, Vile parte de observações sobre o cotidiano para detalhar a construção dos versos. São canções que celebram a vida em família e a busca por estabilidade sem parecer piegas, contrastando com o cansaço da vida na estrada.

A diferença em relação aos últimos trabalhos do músico, entre eles Bottle It In (2018) e (Watch My Moves) (2022), está na forma como o artista usa a própria cidade, Filadélfia, como objeto temático. A exemplo de Bruce Springsteen e Neil Young, duas das principais inspirações de Vile, o álbum parte dessa delimitação territorial para então mergulhar na mente, nas inquietações e nos sentimentos experienciados pelo cantor.

Partindo dessa abordagem, Vile se aventura na elaboração de faixas deliciosamente espaçadas e sempre detalhistas. Em Rock o’ Stone, por exemplo, enquanto os versos expressam o desejo do músico em voltar para casa, guitarras e violões se entrelaçam em uma combinação melódica inescapável. A própria Zoom 97, com seus arranjos acústicos e vozes psicodélicas, parece apontar o caminho para o restante da obra.

Nada que prejudique a entrega de faixas mais imediatas, garantindo equilíbrio ao ritmo do disco. É o caso de Chance to Bleed. Escolhida para anunciar a chegada do trabalho, a canção que dialoga com a obra de conterrâneos como The War on Drugs, do qual Vile foi integrante, leva o registro para outras direções e o impede de parecer arrastado ou repetitivo. Um misto de conforto e necessário toque de agitação criativa.

Entre boas guitarras, versos que orbitam um universo próprio e instantes de doce delírio, Vile investe em um repertório bastante familiar, mas que encontra sempre um elemento de ruptura. É como se o músico, partindo de conceitos que vêm sendo aprimorados desde Wakin on a Pretty Daze (2013), mantivesse a boa forma para encontrar novos percursos criativos em um território há muito desvendado por ele em estúdio.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.