Ano: 2026
Selo: Merge
Gênero: Alt. Country
Para quem gosta de: Bon Iver e Bill Callahan
Ouça: Weakened e The New World Wave
Ano: 2026
Selo: Merge
Gênero: Alt. Country
Para quem gosta de: Bon Iver e Bill Callahan
Ouça: Weakened e The New World Wave
Na contramão do conservadorismo que historicamente tem orientado a música americana e seus inúmeros desdobramentos, Kurt Wagner fez do Lambchop um espaço aberto às possibilidades. O próprio artista, hoje com 66 anos, passou grande parte da última década se aventurando pela produção eletrônica, costurando diferentes estilos e fazendo do olhar crítico sobre a cultura estadunidense sua principal fonte de inspiração.
Em Punching The Clown (2026, Merge), primeiro disco de inéditas do Lambchop em quatro anos, o músico preserva parte desses mesmos elementos, porém partindo de uma abordagem diferente. A fina tapeçaria eletrônica, base para obras como This (Is What I Wanted to Tell You) (2019), Showtunes (2021) e The Bible (2022), agora dá lugar ao reducionismo acústico e ao uso destacado das vozes. É como um claro exercício de reconexão de Wagner com o cancioneiro norte-americano, sem necessariamente soar tradicionalista.
Parte desse resultado vem do próprio processo de composição de Wagner. Equilibrando humor e tragédia durante toda a execução do disco, o músico discute temas pesados, como envelhecimento, morte, fracasso e sonhos abandonados, a partir de histórias repletas de desvios e detalhes inesperados. São canções que atravessam diferentes décadas e narrativas tão pessoais como fictícias e compartilhadas, sempre mágicas.
Em The New World Wave, por exemplo, Wagner entrelaça relatos sobre a Grande Depressão, tormentos e sonhos transformados em mercadoria, alternando entre metáforas insanas, trocadilhos, quebras sutis da quarta parede e momentos de emoção genuína. Já na faixa-título, são versos que parecem discutir o estado da arte e referenciar o filme homônimo de 2009, mas também servem como analogia para a masturbação.
Nesse sentido, difícil não pensar em Punching The Clown como uma manifestação sonora e lírica do atual cenário político e cultural dos Estados Unidos. Da cômica assinatura de rap logo na canção que inaugura o disco – “LAMBCHOP, NEW SHIT!” –, passando pelas vozes que harmonizam um “What the fuck?”, tudo tende ao absurdo. São delírios calculados, mas que em nenhum momento ocultam a beleza do álbum e a entrega de músicas marcadas pela profundidade dos temas, como a relação com a morte abordada em Weakened.
Acompanhado pela produção atenta de Ryan Olson, além de contar com a colaboração de artistas como Justin Vernon, integrantes do coral de Londres e do Eau Claire Vocal Sextet, Wagner garante ao público o trabalho mais complexo do Lambchop em décadas. Ainda que o ritmo moroso e o minimalismo excessivo, vez ou outra, comprometam o desenvolvimento da obra, a atenção aos detalhes e a forma como o músico tensiona a própria criação fazem dessa imprevisibilidade algo genuinamente humano, tocante e sensível.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.