Ano: 2026
Selo: Matador
Gênero: Indie Rock
Para quem gosta de: Soccer Mommy e Jay Som
Ouça: Dead End, My Maker e Light On Our Feet
Ano: 2026
Selo: Matador
Gênero: Indie Rock
Para quem gosta de: Soccer Mommy e Jay Som
Ouça: Dead End, My Maker e Light On Our Feet
Enquanto se preparava para excursionar com Valentine (2021), Lindsey Jordan, a Snail Mail, se viu forçada a mudar as datas de suas apresentações para passar por uma delicada cirurgia nas cordas vocais. Durante esse processo, a artista não apenas reorganizou toda a agenda de shows e teve parte dos planos frustrados, como ainda ficou mais de um mês totalmente impossibilitada de usar a própria voz por questões médicas.
Consumida por um sentimento de impotência e forçada a repensar a própria relação com a música, Jordan encontrou o estímulo para o fino repertório de Ricochet (2026, Matador). Terceiro e mais recente álbum de estúdio da musicista norte-americana, o registro segue uma abordagem naturalmente contida em relação aos registros que o antecedem, porém destaca a sensibilidade poética e as novas perspectivas da cantora.
“Tentei ligar, mas não consegui completar a ligação / Acho que cada um tem seus próprios problemas para resolver”, reflete em Dead End, faixa que sintetiza parte desse processo de dor, frustração e transformação vivido por Jordan. Não se trata de algo exatamente novo para quem acompanha a cantora desde a estreia com o confessional Lush (2018), mas uma delicada mudança de perspectiva poética, sonora e emocional.
O próprio uso destacado das cordas e guitarras moderadas em faixas como My Maker e Light On Our Feet, com ares de canção perdida do American Football, parece contribuir com esse resultado. É como se Jordan não apenas repensasse o uso da voz após o processo cirúrgico, mas também a inserção dos elementos que a cercam. Do encaixe discreto da bateria às distorções, cada mínimo componente ganha outro significado.
Embora essa mudança de direção funcione na maior parte do registro, a moderação protocolar e o uso de estruturas exageradamente básicas limitam o alcance do material e a força dos sentimentos expressos pela artista. Salvo claras exceções, como a urgente Hell, toda a segunda metade do trabalho parece incapaz de capturar a atenção do ouvinte, com Jordan e o produtor Aron Kobayashi Ritch consumidos pelo conforto.
Nesse processo, mesmo canções marcadas pelo apuro lírico, como Reverie e sua crítica certeira à cultura de celebridades, têm o impacto reduzido. É como um exercício de transição, mas que em nenhum momento firma suas bases. Dessa forma, Jordan acerta ao explorar novas estruturas líricas, sonoras e emocionais, porém tropeça justamente na falta de tensão que antes fazia suas canções registros realmente memoráveis.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.