Ano: 2026
Selo: Sonic Cathedral
Gênero: Rock, Shoegaze
Para quem gosta de: Slowdive e Ride
Ouça: Heat of the Summer e Songbird (Forever)
Ano: 2026
Selo: Sonic Cathedral
Gênero: Rock, Shoegaze
Para quem gosta de: Slowdive e Ride
Ouça: Heat of the Summer e Songbird (Forever)
As melodias ensolaradas que se espalham em Heat Of The Summer, logo na abertura de Sunlight Echoes (2026, Sonic Cathedral), funcionam como um precioso indicativo da mudança de direção adotada pelos integrantes do Whitelands no mais recente trabalho de estúdio da carreira. São canções que deixam de lado a atmosfera soturna de Night-Bound Eyes Are Blind To The Day (2024) para avançar criativamente.
E essa mudança de percurso se reflete não apenas na construção dos arranjos, mas na elaboração dos versos. Entre canções de amor e momentos de maior vulnerabilidade emocional, o grupo formado por Etienne Quartey-Papafio (guitarra, voz), Jagun Meseorisa (bateria), Michael Adelaja (guitarra) e Vanessa Govinden (baixo) destaca o aspecto confessional da obra, como um doce contraponto ao registro anterior.
“O amor me invadiu”, canta Quartey-Papafio em Songbird (Forever), composição que se espelha em meio a imagens sensoriais e luminosas, associando o sentimento amoroso à ideia de permanência, renovação e transcendência. É como se, longe das paisagens urbanas e da atmosfera densa que orienta as canções de Night-Bound Eyes Are Blind To The Day, o grupo se voltasse para dentro, expondo algo totalmente inédito.
Mesmo quando reflete sobre o medo de rejeição, em Glance, prevalece a sensação de acolhimento e o uso de melodias pegajosas que soam como um Bloc Party etéreo. De fato, poucas vezes antes o grupo londrino pareceu tão acessível, espalhando canções envolventes, como Blankspace, que parecem pensadas para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição, destacando o domínio criativo do quarteto.
Embora parta de uma abordagem radiante, Sunlight Echoes está longe de parecer uma obra escapista ou que sobrevive apenas de sentimentos agradáveis. Há sempre uma contraparte sombria que, em contraste com esses momentos ensolarados, destaca o lado melancólico da banda. Canções como Dark Horse e a dolorosa Mirrors conduzem o trabalho para diferentes direções, tensionando a experiência do ouvinte.
Não por acaso, Sunlight Echoes acaba se revelando como o trabalho mais equilibrado do Whitelands. Os ecos ruidosos de artistas como Slowdive e Ride, principais referências para a banda, ainda são bastante evidentes, porém dissolvidos em meio a melodias que raspam no jangle pop. É um disco que prefere o abraço ao isolamento, transformando antigas cicatrizes nas bases para um repertório de brilho genuíno.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.