Ano: 2025
Selo: Awal
Gênero: Indie Folk
Para quem gosta de: Andy Shauf e Kevin Morby
Ouça: Evangeline, Dandelions e Back To The Wind
Ano: 2025
Selo: Awal
Gênero: Indie Folk
Para quem gosta de: Andy Shauf e Kevin Morby
Ouça: Evangeline, Dandelions e Back To The Wind
Por mais repetitivos que fossem os temas explorados pelo Whitney em Spark (2022), o uso destacado dos sintetizadores e batidas que flertavam com a música eletrônica conduziram o som da dupla de Chicago a um novo território. O mesmo soft rock romântico que vinha sendo explorado desde a estreia da banda com Light Upon the Lake (2016),porém, partindo de um fino acabamento sintético para disfarçar antigos vícios.
Mas o que acontece quando o projeto encabeçado por Max Kakacek e Julien Ehrlich decide remover essa maquiagem sonora? A resposta está em Small Talk (2025, Awal). Descrito pela banda como um registro de término gerado a partir das separações vividas simultaneamente por cada membro, o álbum até convence em momentos estratégicos, mas pouco acrescenta quando mergulhamos na curta discografia do Whitney.
Do uso macio das vozes ao misto de country e soul, não há nada aqui que Kakacek e Ehrlich já não tenham incorporado em registros como Forever Turned Around (2019) ou mesmo no álbum de releituras Candid (2020). A própria homogeneidade excessiva, com canções que partilham de estruturas bastante similares, torna isso ainda mais evidente, reforçando a sensação de que estamos presos dentro de uma mesma faixa.
Falta ao disco contraste, ruptura e a sensação de que estamos de fato sendo confrontados pela dor que a dupla usa apenas como artifício temático. Mesmo quando as palavras traduzem o que se esconde no fundo do peito, como na introdutória Silent Exchange, a musicalidade morosa limita o alcance dos versos. Ouvir Small Talk é como saborear peito de frango em um restaurante a quilo: alimenta, mas carece de tempero.
Não por acaso, os momentos que mais chamam a atenção em Small Talk são os que Kakacek e Ehrlich se permitem arriscar, mesmo que de maneira sutil. Em Dandelions, são as vozes fortes, pianos e guitarras que passeiam com maior liberdade e dinamismo. Já em Back to the Wind, o lento acréscimo das cordas amplia os horizontes da canção, rompendo com o reducionismo que consome toda a primeira metade do trabalho.
Surgem ainda preciosidades como Evangeline, parceria com Madison Cunningham que não apenas leva o disco para outras direções, como ainda encanta pela potência das orquestrações. São canções que não necessariamente dão conta de salvar o trabalho, porém capturam a atenção do ouvinte. Instantes em que os dois artistas deixam de lado a tonalidade neutra e facilmente esquecível para encantar pelas emoções.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.