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Crítica

Yumi Zouma

: "No Love Lost To Kindness"

Ano: 2026

Selo: Nettwerk

Gênero: Indie Pop

Para quem gosta de: TOPS e Alvvays

Ouça: Drag, Blister e Cowboy Without a Clue

7.2
7.2

Yumi Zouma: “No Love Lost To Kindness”

Ano: 2026

Selo: Nettwerk

Gênero: Indie Pop

Para quem gosta de: TOPS e Alvvays

Ouça: Drag, Blister e Cowboy Without a Clue

/ Por: Cleber Facchi 26/02/2026

Durante mais de uma década, os integrantes do Yumi Zouma se especializaram na produção de trabalhos marcados por doces melodias e versos cantaroláveis, ainda que sempre sensíveis e confessionais. Não é o caso de No Love Lost To Kindness (2026, Nettwerk). Denso e sombrio, o sucessor de Present Tense (2022) destaca o esforço do grupo em provar novas direções e possibilidades criativas. Pelo menos em parte dele.

Exemplo disso ficou bastante evidente quando, em abril do último ano, o quarteto de Christchurch, na Nova Zelândia, regressou com Bashville on the Sugar. Embora parecesse um registro isolado na época em que foi apresentada, a faixa marcada pela tonalidade soturna e urgência das guitarras sintetiza o que os músicos Christie Simpson, Olivia Campion, Charlie Ryder e Josh Burgess buscam desenvolver com o presente disco.

São canções que abandonam o pop etéreo explorado em obras como Yoncalla (2016) e Willowbank (2017) para revelar um lado sombrio e, consequentemente, mais humano do quarteto. O resultado desse processo está na formação de faixas como Drag, música que abraça o rock alternativo dos anos 1990 e sustenta na letra o peso da autoimposição, da medicalização e das expectativas externas na construção da identidade.

Não se trata de algo profundamente transformador do ponto de vista sonoro, afinal, em nenhum momento o grupo propõe alguma mudança estilística tão drástica, mas é na exposição dos versos que o álbum cresce. “Eles vão sufocar seus amigos / Depois implorar para você esquecer”, canta Simpson em Cross My Heart And Hope To Die, amarga reflexão sobre a vida adulta que inaugura e direciona criativamente o registro.

É como se os membros da banda, pela primeira vez em mais de uma década de carreira, se revelassem por completo, fazendo dessa entrega emocional o estímulo para a intensa construção dos arranjos. Vem desse processo as bases para canções como Blister, com suas guitarras sujas e texturizadas, ou ainda Cowboy Without a Clue, faixa que, mesmo limpa, chama a atenção pela fluidez das vozes e o dinamismo da bateria.

Partindo dessa abordagem, não chega a ser uma surpresa que os momentos de maior fragilidade do disco são justamente aqueles que mais se apoiam nos antigos trabalhos da banda. Canções como a reducionista 95 e Did You See Her? que, embora belas e liricamente sensíveis, ecoam de maneira deslocada, impedindo o Yumi Zouma de alcançar tudo aquilo que se anuncia de forma intensa nos minutos iniciais do trabalho.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.