Ano: 2017
Selo: Wolf Tone / Caroline
Gênero: Pós-Punk, Rock Alternativo
Para quem gosta de: Wild Beasts e Cats Eyes
Ouça: Machine e Weighed Down
Ano: 2017
Selo: Wolf Tone / Caroline
Gênero: Pós-Punk, Rock Alternativo
Para quem gosta de: Wild Beasts e Cats Eyes
Ouça: Machine e Weighed Down
Você não precisa ir além da inaugural Hologram para perceber as nuances e toda a profunda transformação promovida pelo The Horrors no quinto álbum de estúdio, V (2017, Wolf Tone / Caroline). Em um intervalo de apenas seis minutos, guitarras carregadas de efeitos, sintetizadores e batidas eletrônicos encolhem e crescem a todo instante, conduzindo o ouvinte para dentro de um intenso turbilhão instrumental que explode na voz ecoada de Faris Badwan.
Trata-se de uma clara fuga do material apresentado há três anos durante o lançamento do quarto registro de inéditas da banda, o fraco Luminous (2014). Longe de possíveis redundâncias, o grupo — completo pela presença dos músicos Tom Cowan, Joshua Hayward, Joseph Spurgeon e Rhys Webb —, sutilmente intensifica o uso de temas eletrônicos, resgatando e ampliando o universo musical detalhado durante a produção do maduro Primary Colours (2009).
Perfeita representação desse material sobrevive na soturna Weighed Down, sexta composição do disco. Entre guitarras climáticas, por vezes psicodélicas, carregadas de efeitos, o quinteto britânico não apenas resgata a essência do material apresentado no segundo álbum de estúdio, como amplia os próprios domínios, lembrando em alguns aspectos o som produzido pelo Primal Scream no final dos anos 1990. Delírios instrumentais que se conectam aos versos da canção.
E a semelhança com o trabalho de outros artistas não para aí. Conceitualmente próxima da obra de veteranos como Depeche Mode e Nine Inch Nails, Machine, terceira música do disco, se espalha em um labirinto de sensações ruidosas, jogando com o uso de guitarras carregadas de efeitos e colagens sintéticas, por vezes próximas da música industrial. O bom e velho rock gótico que acompanha a banda desde o primeiro álbum de estúdio, porém, mergulhado em novas possibilidades.
Surgem ainda música como a inusitada Gathering, um pop rock semi-acústico que parece resgatado de algum clássico dos anos 1960. Nada que se compare ao synth-rock que chega logo em sequência com a experimental World Below, música que parece pensada para as apresentações ao vivo da banda. Um evidente aquecimento para a dobradinha formada por It’s a Good Life e Something To Remember Me By, essa última, possivelmente uma das canções mais pop já produzidas pela banda.
Por vezes próximo do mesmo material explorado pela banda durante a produção do terceiro álbum de inéditas, Skying (2011), V mostra o esforço do grupo britânico em se reinventar dentro de estúdio. Ao mesmo tempo em que o quinteto joga com uma série de elementos originalmente testados nos primeiros trabalhos, sobram possibilidades e temas inusitados a cada nova composição, com se os integrantes do The Horrors fossem capazes de sintetizar cinco ou mais décadas dentro de referências em uma mesma obra.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.