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Crítica

Gena

: "The Pleasure Is Yours"

Ano: 2026

Selo: Lex

Gênero: R&B

Para quem gosta de: KeiyaA e Yaya Bey

Ouça: Circlesz, Lead it Up? e Unspokerrn

8.0
8.0

Gena: “The Pleasure Is Yours”

Ano: 2026

Selo: Lex

Gênero: R&B

Para quem gosta de: KeiyaA e Yaya Bey

Ouça: Circlesz, Lead it Up? e Unspokerrn

/ Por: Cleber Facchi 19/03/2026

De um lado, a cantora e compositora norte-americana Liv.e, um dos nomes mais interessantes e originais do novíssimo R&B estadunidense. No outro, o baterista, produtor e DJ Karriem Riggins, veterano que acumula trabalhos com nomes como Paul McCartney e Esperanza Spalding. Dessa parceria vem o colaborativo The Pleasure Is Yours (2026, Lex), precioso registro que marca a relação entre os dois artistas no paralelo Gena.

Ainda que pareça muito mais orientado ao território musical de Liv.e em uma audição inicial, efeito direto das ambientações enevoadas e sutil fragmentação do R&B tradicional, The Pleasure Is Yours delicadamente revela o equilíbrio de forças entre os dois artistas. Enquanto a cantora flutua em meio a vozes etéreas que parecem saídas do álbum Girl In The Half Pearl (2023), a bateria de Riggins concede fisicalidade ao disco.

Exemplo disso fica bastante evidente em músicas como Douwannabwithastar. Concebida em meio a vozes sobrepostas, sopros e pianos jazzísticos, a canção sustenta na bateria marcada um precioso componente rítmico, proposta que limita o campo de atuação de Liv.e e ainda evoca os trabalhos de Riggins com nomes como J Dilla e Common. É como se cada metade trouxesse apenas o que há de essencial em suas criações.

O resultado desse processo está na entrega de uma obra que encanta menos pela novidade da parceria e muito mais pela confiança com que os dois artistas constroem o repertório do disco de forma envolvente e colaborativa. Claro que isso não interfere na entrega de faixas que pesam mais para um lado do que para o outro, como Lead It Up e Unspokern, canções que destacam o experimentalismo típico do trabalho de Liv.e.

Entretanto, quanto mais se afastam das próprias criações, mais os dois artistas tornam a audição do álbum fascinante. Em This Is So Crazy, por exemplo, são os acenos para a obra de Prince e o passeio pelo pop dos anos 1980 que embalam a experiência do ouvinte. Já em Circlesz, é o soul reducionista, a letra romântica e as melodias nostálgicas que levam o disco para outras direções, aportando na música da década de 1960.

São pinceladas instrumentais, rítmicas e poéticas que não apenas concentram o que há de melhor na obra de cada colaborador, como consolidam uma estética própria do Gena. Canções que vão do jazz ao funk, do R&B ao pop, enquanto destacam a irreverência e a sensibilidade dos dois artistas. Um encontro geracional que transforma contraste em linguagem, equilibrando a habitual leveza de Liv.e com a precisão de Riggins.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.