Ano: 2026
Selo: Far Out Recordings
Gênero: MPB
Para quem gosta de: Nyron Higor e Phylipe Nunes Araújo
Ouça: Não Posso Viver Sem Você, Vim Dizer e Manhã
Ano: 2026
Selo: Far Out Recordings
Gênero: MPB
Para quem gosta de: Nyron Higor e Phylipe Nunes Araújo
Ouça: Não Posso Viver Sem Você, Vim Dizer e Manhã
Por mais serena que possa parecer, a música de Bruno Berle é bastante inquieta. Em um intervalo de dois anos, o cantor, compositor e produtor alagoano percorreu o mundo, estreitou laços com diferentes vozes do cancioneiro nordestino e mergulhou em projetos para além do próprio território. São trabalhos com Nyron Higor, Phylipe Nunes Araújo, AnaVitória e Alulu Paranhos que destacam a pluralidade de ideias do artista.
Vem justamente do desejo de romper limites criativos, geográficos e emocionais o estímulo para o material entregue em Sem Fronteiras (2026, Far Out Recordings). Sequência ao repertório apresentado em No Reino Dos Afetos 2 (2024), o disco deixa de lado a relação de Berle com a MPB tradicional para destacar o caráter exploratório do músico, proposta que resgata a essência lo-fi de No Reino Dos Afetos (2022) sem se repetir.
Gravado em diferentes cidades do Brasil e da Europa enquanto Berle excursionava com o último disco, Sem Fronteiras traz de volta o que há de mais característico na obra do alagoano. Em geral, são canções que se resolvem em versos curtos e cíclicos, destacando a instrumentação diminuta e a produção atmosférica que, mais uma vez, se completa pela assistência de Batata Boy, amigo de longa data e principal parceiro criativo.
A principal diferença em relação aos trabalhos que o antecedem está na forma como Sem Fronteiras segue uma proposta ainda mais irregular. Ainda que canções como Não Posso Viver Sem Você e Manhã revelem o lado acessível do artista, Berle parece pouco interessado em se repetir. Do pop etéreo de Ideias Mágicas, passando pelo reducionismo acústico de Vim Dizer, sobram exemplos de delicadas investigações sonoras.
Claro que, nesse esforço em testar novas possibilidades, Berle esbarra em faixas dissonantes, como Amor Inteiro, ou mesmo canções que seguem estruturas bastante simples, como A Noite de Estrelas, reduzindo a sensação de impacto do disco, principalmente nos minutos iniciais. Nada que a segunda metade da obra não dê conta de solucionar, com o alagoano destacando a parte instrumental e poética de Sem Fronteiras.
São momentos de maior instabilidade, porém sempre entrecortados por instantes de profunda delicadeza e entrega emocional, como se Berle e seus companheiros transportassem para dentro do trabalho a mesma sensação inquietante da vida em trânsito e das noites em quartos de hotel. Uma obra que, para o bem ou para o mal, segue em um avanço contínuo, preservando a própria essência enquanto cria novas conexões.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.