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Crítica

Papangu

: "Celestial"

Ano: 2026

Selo: DeckDisc

Gênero: Rock Progressivo

Para quem gosta de: Kaatayra e Oblomov

Ouça: Colosso, Calado (De Olho) e Taxidermia

8.5
8.5

Papangu: “Celestial”

Ano: 2026

Selo: DeckDisc

Gênero: Rock Progressivo

Para quem gosta de: Kaatayra e Oblomov

Ouça: Colosso, Calado (De Olho) e Taxidermia

/ Por: Cleber Facchi 19/08/2026

A cada novo registro em estúdio, os integrantes da banda paraibana Papangu parecem mais interessados em borrar os possíveis limites entre gêneros. Depois de se aventurar pelo território pantanoso de Holoceno (2021) e estreitar laços com a música, a história e a cultura nordestina em Lampião Rei (2024), o grupo de João Pessoa retorna com o trabalho mais complexo e estruturalmente diverso da carreira, Celestial (2026).

Concebido e gravado de forma totalmente analógica, no Big Snuff Studio, em Berlim, o trabalho nasce como uma resposta ao avanço das ferramentas de inteligência artificial, entretanto está longe de se limitar a uma função específica. Trata-se de um exercício de exploração e conexão entre os membros da banda formada pelos instrumentistas Pedro Francisco, Marco Mayer, Rodolfo Salgueiro, Hector Ruslan e George Alexandria.

A própria escolha do grupo em inaugurar o disco com Mau-Olhado funciona como uma boa representação desse resultado. São pouco mais de três minutos em que teclados alucinantes, batidas e arranjos acústicos se entrelaçam em meio a camadas de guitarras e vozes frenéticas. É como um turbilhão instrumental que vai do metal extremo ao jazz de forma inquietante, destacando a riqueza de ideias do quinteto paraibano.

Apesar dessa pluralidade de estilos, bem representada na colorida imagem de capa do disco, uma criação de Juliana Lapa, Celestial nunca foge ao controle do quinteto. Seja pela escolha dos timbres que evocam a sonoridade dos anos 1960 e 1970, ou pela construção dos versos que incorporam rituais de proteção para o corpo, a mente e o espírito, tudo gira em torno de um mesmo universo criativo da banda. Claro que isso não interfere na produção de composições que se elevam com evidente destaque ao longo do repertório.

Em Taxidermia, por exemplo, são vozes guturais que buscam respirar enquanto o grupo equilibra batidas de candomblé, rock progressivo e elementos de black metal. Já em Calado (De Olho), é o encontro entre o cancioneiro nordestino e o jazz que captura a atenção do ouvinte. Surgem ainda preciosidades como a já conhecida Colosso, música que aproxima o grupo da obra de veteranos como Hermeto Pascoal e Edu Lobo.

Ainda que muitos desses elementos tenham sido apresentados pela banda em Lampião Rei, diminuindo a sensação de impacto do trabalho, a forma como o grupo organiza suas ideias e amplia o próprio campo de atuação torna o contato com o disco ainda mais interessante. São ritmos dissonantes, quebras e momentos de profunda experimentação que tingem com incerteza e fascinação o processo de imersão do disco. Em Celestial, a Papangu se eleva lírica e musicalmente, sem qualquer traço de conforto ou mínimo teto criativo.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.