Image
Crítica

Ravyn Lenae

: "Blue Island"

Ano: 2026

Selo: Atlantic

Gênero: R&B

Para quem gosta de: Tinashe e Victoria Monét

Ouça: Handle, Bobby e Saturday Night

7.3
7.3

Ravyn Lenae: “Blue Island”

Ano: 2026

Selo: Atlantic

Gênero: R&B

Para quem gosta de: Tinashe e Victoria Monét

Ouça: Handle, Bobby e Saturday Night

/ Por: Cleber Facchi 27/08/2026

Desde o início da carreira, Ravyn Lenae sempre trilhou um caminho particular dentro do R&B. Longe do reducionismo de Kehlani, Tinashe, SZA e outras artistas contemporâneas, a cantora e compositora norte-americana sempre adotou uma abordagem exploratória, conceito que se reflete não apenas nos registros iniciais, caso do elogiado EP Crush (2018), como nos álbuns posteriores, Hypnos (2022) e Bird’s Eye (2024).

Com a chegada de Blue Island (2026, Atlantic), Lenae vai ainda mais longe. Do momento em que tem início em Handle, com suas batidas e bases funkeadas que evocam Prince, a artista deixa claro que parece pouco interessada em seguir a trilha dos trabalhos anteriores, ampliando ainda mais o próprio escopo. São faixas que deixam de lado o caráter atmosférico de Bird’s Eye para abraçar o pop de forma ainda mais explícita.

Dentro desse processo, a cantora trilha percursos interessantes. Em Saturday Night, por exemplo, chama a atenção o criativo diálogo com as pistas, como uma extensão daquilo que Solange e Blood Orange testaram em True (2012) e Cupid Deluxe (2013). Essa mesma riqueza de ideias fica ainda mais evidente na inusitada Bobby, música que raspa no jangle pop e nas harmonias solares de nomes como Real Estate e Beach Fossils.

O problema é que, nesse esforço em ampliar o próprio campo de atuação, Lenae esbarra em composições completamente deslocadas. É o caso de Reputation, um bedroom pop que parece pertencer muito mais ao convidado, Dominic Fike, do que à própria cantora. Esse descompasso também ecoa em Babygirl, faixa em que recebe a rapper Doechii em uma tentativa de atender aos interesses comerciais da própria gravadora.

É como se Lenae a todo momento buscasse replicar o fenômeno de Love Me Not, música que alavancou o disco anterior por conta do enorme sucesso no TikTok. A própria inserção de faixas como Familiar Dreams e Never Let Me Go, logo nos minutos iniciais do trabalho, parece contribuir ainda mais para esse resultado, com a artista investindo pesado no mesmo soul/pop melódico de Mariah Carey e outros nomes do gênero.

Curiosamente, quanto mais se afasta dessa proposta, mais Lenae imprime a própria identidade. Da fluidez rítmica de In & Out, música em que esbarra no rock, passando pelas vozes impecáveis, melodias etéreas e bases fragmentadas de Potential, sobram momentos em que a artista não apenas dialoga com uma parcela do público, como incorpora parte da imprevisibilidade que marca suas primeiras empreitadas em estúdio.

Ouça também:

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.