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Crítica

Floating Points

: "Mere Mortals"

Ano: 2026

Selo: Deutsche Grammophon / Pluto

Gênero: Eletrônica

Para quem gosta de: Four Tet e Jon Hopkins

Ouça: Rage of the Gods e Pandora’s Theme

8.0
8.0

Floating Points: “Mere Mortals”

Ano: 2026

Selo: Deutsche Grammophon / Pluto

Gênero: Eletrônica

Para quem gosta de: Four Tet e Jon Hopkins

Ouça: Rage of the Gods e Pandora’s Theme

/ Por: Cleber Facchi 22/09/2026

De tempos em tempos, Sam Shepherd se distancia das pistas para investir em outros projetos e ampliar o próprio campo de atuação com o Floating Points. Dos experimentos em Reflections – Mojave Desert (2017), registro gravado ao vivo no deserto californiano, ao encontro com Pharoah Sanders e a Orquestra Sinfônica de Londres, em Promises (2021), sobram momentos em que o produtor britânico se desafia criativamente.

Mais recente empreitada de Shepherd, Mere Mortals (2026) destaca o esforço do produtor em testar outros formatos em diferentes campos das artes. Convidado pela Orquestra do Balé de São Francisco a produzir a trilha sonora de um espetáculo inspirado pelo mito de Pandora, o britânico equilibra arranjos sofisticados e batidas eletrônicas em um material que destaca a complexidade, fluidez e versatilidade do Floating Points.

Exemplo disso fica bastante evidente na sequência formada por Hope e Rage of the Gods. São pouco menos de cinco minutos em que Shepherd deixa o violino respirar para, logo em seguida, soterrar o material com uma combinação de batidas densas, ruídos e sintetizadores sujos. Um contrastante jogo de sensações que orienta a experiência do ouvinte até os momentos finais da obra, na também impactante Nowhere to Land.

Embora pensado para funcionar em totalidade, acompanhando a coreografia da canadense Aszure Barton, Mere Mortals também chama a atenção pela entrega de canções que funcionam de maneira independente. É o caso de Pandora’s Creation, música que dialoga com o restante do material, porém preservando traços daquilo que Shepherd tem incorporado em seus trabalhos mais recentes, como o pulsante Cascade (2024).

E ela está longe de ser o único destaque do disco. Em Falling To Earth, por exemplo, Shepherd se aventura em uma criação épica em que cada fragmento da canção leva o ouvinte para uma direção diferente. Já em Pandora’s Theme, as batidas desaparecem, destacando os arranjos de cordas da orquestra que acompanha o produtor, conceito reforçado em Her Gift, faixa que fascina pelo som cristalino de uma harpa minimalista.

Ainda que o trabalho perca parte da força em seus minutos finais e algumas composições incorporem uma abordagem mais abstrata, como em Opening of The Jar, a atenção aos detalhes e o equilíbrio de Shepherd permanecem inalterados. Marcado pelo permanente desvendar de sensações, Mere Mortals escancara as potencialidades e a curiosidade de um artista que parece cada vez menos interessado em se acomodar.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.