Ano: 2026
Selo: Good Boy
Gênero: R&B, Eletrônica
Para quem gosta de: Sampha e Frank Ocean
Ouça: I Had A Dream She Took My Hand e Days Go By
Ano: 2026
Selo: Good Boy
Gênero: R&B, Eletrônica
Para quem gosta de: Sampha e Frank Ocean
Ouça: I Had A Dream She Took My Hand e Days Go By
James Blake passou os últimos anos tentando se encontrar. Após a entrega de Playing Robots Into Heaven (2023), em que já indicava uma reconexão com a música eletrônica, o cantor, compositor e produtor inglês se aventurou por registros menores, como CMYK 002 (2024), e até colaborou com outros artistas, como o rapper Lil Yachty, em Bad Cameo (2024). Eram pequenos experimentos e ensaios para algo ainda maior.
Com o fim do contrato com a antiga gravadora, Blake retorna ao meio independente com seu trabalho mais interessante em anos, Trying Times (2026, Good Boy). Próximo e, ao mesmo tempo, distante de tudo aquilo que o britânico havia testado anteriormente, o artista que já colaborou com nomes como Kendrick Lamar e Beyoncé alcança um ponto de equilíbrio entre os temas românticos e o diálogo com a produção eletrônica.
Não se trata de algo exatamente novo, afinal, muitos desses elementos podem ser percebidos em trabalhos como Overgrown (2013) e Assume Form (2019). A diferença está na forma como o artista reorganiza suas ideias, se entrega sentimentalmente e trilha percursos pouco usuais durante toda a execução do registro. Um misto de familiaridade e doce agitação criativa que sutilmente conduz o ouvinte para outros territórios.
Em I Had a Dream She Took My Hand, por exemplo, Blake segue de onde havia parado em Can’t believe the Way We Flow e I’ll Come Too, transportando de forma atualizada o pop dos anos 1960 e a essência de Phil Spector para o presente cenário. Já em Days Go By, o artista utiliza desses mesmos fragmentos melódicos para novamente se aventurar pela música eletrônica, como um regresso entusiasmado aos primeiros EPs.
Mesmo os diálogos com novos parceiros criativos assumem percursos não óbvios dentro do trabalho. Em Didn’t come to argue, a voz de Monica Martin é tanto um instrumento versátil nas mãos de Blake como uma peça independente, viva e marcada pela força dos sentimentos. Já em Doesn’t Just Happen, com produção soturna e fragmentada, é a rima do conterrâneo Dave que busca atravessar o som quebradiço do produtor.
É como se Blake, pela primeira vez em anos, estivesse verdadeiramente liberto. As habituais composições entristecidas que o fizeram conhecido, como Death of Love, ainda estão presentes, porém trabalhadas de maneira pouco usual. São ruídos, fragmentos de vozes, batidas e momentos de maior experimentação que não apenas o livram do polimento imposto pela antiga gravadora, como o reapresentam. Enquanto empilha pratos na capa do disco, o músico parece ter encontrado uma nova forma de lidar com a própria criação.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.