Image
Crítica

Tinashe

: "Popstar"

Ano: 2026

Selo: Nice Life / Atlantic

Gênero: R&B

Para quem gosta de: Kelela e Jae Stephens

Ouça: Melatonin e Nobody Wanna Dance Anymore

8.8
8.8

Tinashe: “Popstar”

Ano: 2026

Selo: Nice Life / Atlantic

Gênero: R&B

Para quem gosta de: Kelela e Jae Stephens

Ouça: Melatonin e Nobody Wanna Dance Anymore

/ Por: Cleber Facchi 30/09/2026

O que define uma popstar em tempos de internet e redes sociais? Ainda que as respostas não sejam claras, Tinashe demonstra confiança ao avançar pelo repertório do oitavo e mais recente trabalho de estúdio da carreira. Sequência ao elogiado Quantum Baby (2024), registro catapultado por conta do sucesso de Nasty, Popstar (2026) destaca a competência da cantora em não se repetir e tensionar a experiência do ouvinte.

A própria escolha em inaugurar o álbum com Sunglasses torna isso explícito. Com produção fragmentada de Arca, a faixa não apenas rompe com possíveis expectativas criadas com os singles do disco, como deixa o caminho aberto para Tinashe experimentar em estúdio. Em Melatonin, por exemplo, a cantora atravessa as pistas em uma música que transita entre o R&B, a EDM e o hyperpop de forma deliciosamente hipnótica.

É como se a cantora seguisse a trilha eletrônica apontada em 333 (2021), porém incorporando em estúdio a mesma sensualidade e atmosfera provocante trabalhada em álbuns como Aquarius (2014) e Song For You (2019). Tinashe aproveita até resgatar elementos dos antigos registros, como o som de cama rangendo na faixa I’d Rather Be Alone, conceito originalmente incorporado em Ooh La La, parte do disco Joyride (2018).

Embora parta de uma abordagem totalmente exploratória, Tinashe nunca se distancia totalmente do pop. A cada curva do trabalho há sempre uma nova faixa que parece pensada para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição. São composições como Pillow Fight, Too Easy e Crash Out que escancaram o domínio criativo e a capacidade da cantora em seduzir o público com músicas minimalistas e certeiras.

Nada que prepare o ouvinte para o impacto de Nobody Wanna Dance Anymore. Ponto central do trabalho, a canção fascina ao alcançar um ponto de equilíbrio entre a obra de Janet Jackson, Britney Spears, Prince e até Nine Inch Nails. São pouco mais de dois minutos em que a artista confessa algumas de suas principais referências, porém preservando a própria identidade em cada mínimo fragmento rítmico, sonoro ou lírico.

Estruturado em uma sequência matadora de composições, o álbum mantém a consistência na maior parte do tempo, ainda que amargue um fechamento pouco inspirado. Com exceção da música-título e Cloud 9, poucas canções no eixo final da obra parecem capazes de igualar o capricho explícito na porção inicial do disco. Ainda assim, Tinashe nunca baixa o nível do trabalho. Entre batidas certeiras e versos confessionais, a cantora estabelece as bases do próprio universo e reafirma o título de popstar que sempre lhe pertenceu.

Ouça também:


Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.