Ano: 2026
Selo: Columbia
Gênero: Pop
Para quem gosta de: Djo e Troye Sivan
Ouça: Aperture e Are You Listening Yet?
Ano: 2026
Selo: Columbia
Gênero: Pop
Para quem gosta de: Djo e Troye Sivan
Ouça: Aperture e Are You Listening Yet?
Cada novo álbum de Harry Styles é, ao mesmo tempo, um curioso ato criativo e um exercício educacional para a base de ouvintes que o artista inglês tem conquistado desde a passagem pelo One Direction. Com o homônimo disco de 2017, foram acenos para a obra de David Bowie e Elton John; já em Fine Line (2019), é o R&B psicodélico que vai de Prince a Tame Impala; ao mergulhar em Harry’s House (2022), o britânico foi além, flertando com o city pop e o som detalhado por veteranos da cena japonesa, como Haruomi Hosono.
Em Kiss All The Time. Disco, Occasionally (2026, Columbia), quarto e mais recente trabalho de estúdio do artista em carreira solo, as explorações sonoras e estéticas de Styles continuam. Do globo espelhado à pose que lembra James Murphy na capa de This Is Happening (2010), terceiro álbum do LCD Soundsystem, tudo parece estruturado pelo cantor de maneira bastante explícita: esse é um registro pensado para as pistas.
E se os sinais forem insuficientes para tornar isso claro, Aperture, logo na abertura do trabalho, serve para ambientar o ouvinte. Entre sintetizadores que flertam com a acid house e batidas que crescem aos poucos, acompanhando o ritmo da canção, Styles propõe um ritual totalmente mágico e hipnótico, fazendo da letra que sugere aproximação – “Nós pertencemos um ao outro” –, um precioso exercício de introdução ao disco.
Embora entusiasmado na maior parte do tempo e capaz de garantir um catálogo de músicas inescapáveis, como American Girls, Are You Listening Yet? e outras composições que soam como um convite irrecusável a se perder pelas pistas de dança, falta ao disco o básico: impulso. É como se Styles permanecesse em um meio-termo constante. Composições que até arriscam passos tímidos, mas nunca concluem a coreografia.
Mais uma vez acompanhado pelo produtor Kid Harpoon, com quem colabora desde a estreia em carreira solo, o cantor brilha no que ele e o parceiro sabem de melhor, como nas baladas Coming Up Roses e The Waiting Game, porém tropeça justamente no elemento temático do disco. E não é como se Styles não tivesse recursos e acesso a produtores que melhor o auxiliassem nessa empreitada. O próprio James Murphy, tão referenciado ao longo do disco, acumula trabalhos com gigantes da indústria, como Gorillaz e David Bowie.
Curioso o bastante para provocar interesse, mas cauteloso demais para realmente atravessar as pistas, Kiss All The Time. Disco, Occasionally permanece em um espaço intermediário. Ainda assim, mesmo quando parece tatear caminhos já explorados por diferentes artistas, Styles preserva o que falta a outros nomes recentes do gênero: inquietação. É essa disposição contínua em testar referências e reorganizar o pop que o mantém um passo à frente de Benson Boone, Conan Gray e tantos outros artistas que orbitam sua estética, frequentemente contentes em apenas replicar fórmulas que ele próprio ainda parece disposto a questionar.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.