Ano: 2026
Selo: Mexican Summer
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Parquet Courts e Cola
Ouça: Ember, The Weak e Star
Ano: 2026
Selo: Mexican Summer
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Parquet Courts e Cola
Ouça: Ember, The Weak e Star
Você nunca sabe o que esperar do Iceage. Depois de flertar com o rock clássico em Seek Shelter (2021), o grupo dinamarquês encabeçado por Elias Rønnenfelt segue uma abordagem completamente diferente em For Love Of Grace & The Hereafter (2026, Mexican Summer). Ainda que a crueza no processo de produção aponte para os primeiros discos da banda, os temas, estruturas e, principalmente, a sonoridade são outros.
Longe do punk/hardcore que marca os introdutórios New Brigade (2011) e You’re Nothing (2013), o grupo investe em uma abordagem que, mesmo enérgica e direta, chama a atenção pelo acabamento melódico. A própria Match Head Girl, logo nos minutos iniciais, funciona como uma boa representação desse resultado. Das vozes cantaroláveis à aplicação das guitarras, tudo parece pensado para grudar na cabeça do ouvinte.
É como se Rønnenfelt e seus parceiros seguissem de onde haviam parado em Plowing Into the Field of Love (2014), porém, partindo de uma proposta ainda mais acessível. Em No Fear, por exemplo, são diálogos com o jangle pop nas guitarras assumidas por Johan Surrballe Wieth. Já Ember, na abertura do disco, é a bateria enérgica que força o ouvinte a dançar e embarcar no coro de vozes que deliciosamente invadem a canção.
Mesmo quando resgata a agressividade de obras como Beyondless (2018),Rønnenfelt e seus companheiros mantêm firme o aspecto exploratório do trabalho. Exemplo disso fica bastante evidente em The Weak, faixa que aproxima o grupo do cowpunk. Esse mesmo olhar para a música norte-americana acaba se refletindo em outros momentos no decorrer do registro, como em Salve for Every Sore e na urgente Mother-Of-Pearl.
Nada que pareça prejudicar a entrega de músicas ainda íntimas dos antigos registros da banda. São faixas como 1835 e True Blue, com um canto semi-declamado, evocando Stephen Malkmus, que acenam para um passado recente do grupo dinamarquês. Mesmo Star, escolhida para inaugurar essa nova fase, alcança um ponto de equilíbrio entre os trabalhos anteriores e o vasto repertório de For Love Of Grace & The Hereafter.
Essa pluralidade de estilos acaba justamente salvando o trabalho de um de seus principais pontos de atrito: o aspecto monotemático. Com o amor como elemento central, Rønnenfelt esbarra em repetições líricas, mas nunca deixa de encantar. É como se o artista, ciente dos riscos e dos prazeres de se entregar ao sentimento, conceito apontado logo na inaugural Ember, mergulhasse de cabeça, arrastando com ele o próprio ouvinte.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.