Ano: 2026
Selo: Atlantic
Gênero: R&B
Para quem gosta de: Tinashe e Victoria Monét
Ouça: Folded, Back and Forth e I Need You
Ano: 2026
Selo: Atlantic
Gênero: R&B
Para quem gosta de: Tinashe e Victoria Monét
Ouça: Folded, Back and Forth e I Need You
Se em Crash (2024) Kehlani parecia pouco inspirada, com o quinto álbum de estúdio da carreira, a cantora e compositora norte-americana volta à boa forma. Alavancado por conta do sucesso de Folded, música que levou a artista ao topo das paradas nos Estados Unidos, o trabalho alcança um ponto de equilíbrio entre o R&B atual e a doce nostalgia, proposta que embala a experiência do ouvinte até os minutos finais do disco.
Próximo e, ao mesmo tempo, distante de outros trabalhos apresentados pela cantora, o registro mostra uma Kehlani mais confiante, direta e sem filtros, menos inclinada ao sofrimento romântico. São composições que confessam algumas das principais referências criativas da artista, como Mariah Carey e Lauryn Hill, porém, preservando o intenso aspecto confessional que orienta a norte-americana desde SweetSexySavage (2017).
A diferença talvez esteja na forma como Kehlani substitui o fino toque de melancolia dos discos anteriores por um repertório que trata sobre crescimento pessoal e cura emocional. A própria faixa de encerramento do disco, Unlearn, reforça isso. “Eu culpo o passado, mas o passado não sou eu / Carrego cicatrizes como se elas me libertassem”, confessa a artista em um delicado exercício de libertação e transformação particular.
Embora parta de uma abordagem bastante pessoal, Kehlani utiliza desse lirismo confessional como forma de se conectar com alguns dos nomes mais importantes da cena norte-americana. Em I Need You, é Brandy quem assume parte dos versos que evidenciam a vulnerabilidade da cantora. Já em Shoulda Never, Usher brilha em uma canção que trata sobre relacionamento tóxico a partir de uma inusitada decisão consciente.
Claro que nem todos esses encontros contribuem para o desenvolvimento do disco. Em faixas como Anotha Luva, com Lil Wayne, e Lights On, junto de Big Sean, a completa previsibilidade resulta em um material que pouco acrescenta ao trabalho. Já em Back and Forth, ao lado de Missy Elliott, e Pocket, em colaboração com Cardi B, o esforço em agradar as convidadas praticamente descaracteriza a identidade criativa de Kehlani.
Ainda assim, esse talvez seja o registro mais consistente da artista desde o pandêmico It Was Good Until It Wasn’t (2020). É como se a cantora alcançasse um ponto de equilíbrio entre o tom confessional da mixtape While We Wait (2019) e o teor comercial de trabalhos como Blue Water Road (2022) e Crash. Um misto de fragilidade e autoconfiança que reafirma Kehlani como uma das grandes vozes do R&B norte-americano.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.